quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A primeira!

                                      Há tempos venho pensando... e se eu escrever? Na minha cabeça, todas as minhas conversas surgem em forma de textos, tipo aquelas narrações que a gente lia na escola, com parágrafo, dois pontos, travessão e vírgula.
                                    E eu sempre escrevi. Na infância gostava de fazer redações sobre qualquer tema. Na adolescência mantive alguns diários nos quais escrevia muito mais minhas impressões do mundo do que os acontecimentos do dia a dia.
                                    Mas, aí, em algum momento da minha vida veio a censura, a inibição... Comecei a achar meus textos ruins, mal escritos, fracos, sem temática, sem inspiração, sem brilho... E eu virei apenas leitora. E quanto mais leitora, menos coragem para escrever!!
                            Assim, minhas histórias, idéias, meus diálogos imaginários, paixões de mentira, conclusões engraçadinhas acabaram guardadas dentro da minha "cachola" e por aqui ficaram. Se empilharam, misturaram, foram esquecida, modificadas, cresceram, diminuíram... e eu só pensando: e se eu escrevesse???
                               Porém, como uma dúvida nunca vem só, outra pergunta sempre seguiu-se a essa: e se alguém ler????? Como é que eu vou explicar que, mesmo sem talento, eu resolvi que poderia escrever? E sempre cheguei a conclusão que era bem melhor ficar quietinha no meu canto! Afinal, que mal faria guardar minhas idéias só pra mim?
                              O problema é que eu realmente GOSTO de falar!! Falo mais que a boca, falo sem parar, falo sem limites, falo a ponto de enlouquecer os interlocutores! E como uma boa falante, meu cérebro funciona numa velocidade aterrorizante, "non stop", 24x7... Fazendo uma conta simples, cheguei à conclusão de que única forma de gastar o excesso de palavras que acumulam em mim todos os dias, sem receber uma notificação de divórcio do marido ou um pedido de férias dos amigos, era escrever! (tive que procurar no Google se "cheguei à conclusão" tem crase; é muita burrice isso?)
                            Levei essa questão ao meu analista e, ao mesmo tempo que relatava minhas inseguranças, percebi como eram bobas minhas questões!! E daí se alguém ler? Sempre vai ter alguém que escreve melhor, sempre vai ter quem não goste do meu estilo, quem não goste das minhas idéias, dos meus repetitivos 3 pontos, das minhas interrogações e exclamações duplas triplas quadruplas. Vou errar na gramática, na concordância, na semântica. Vou repetir a temática, vou falar demais de mim, vou falar dos outros sem dar nome aos bois, vou contar histórias pela metade. Tem semanas que farei postagens seguidas, tem semanas que vou esquecer o blog. E daí? Hoje escrevo pra mim! Quem quiser ler, seja bem vindo... Mas já aviso que vai embarcar na minha jornada pessoal de gostar mais de mim, de aceitar mais o que eu faço. Hoje escrevo por mim! Pra me esvaziar das palavras, pra me censurar menos, pra me desinibir!!!

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